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Serviço de coleta seletiva de materiais recicláveis retrocede


Notícia publicada em 04/06/2017 - Visualizada 771 vezes


Extraído jo Jornal Cruzeiro do Sul

04/06/17 | Por Carlos Araújo

 

Num momento em que as atenções se voltam para a Semana Mundial do Meio ambiente, a coleta seletiva de materiais recicláveis em Sorocaba amarga diminuição acentuada no volume de materiais recolhidos nas residências e contabiliza perdas em itens importantes a estrutura de trabalho. Esses materiais abrangem plástico, papel, papelão, vidro, alumínio, entre outros itens. Possuem valor agregado, são reaproveitados na fabricação de outros produtos e dessa forma se tornam fontes de geração de emprego e renda. Além disso, a coleta seletiva contribui para a preservação do meio ambiente porque esses materiais, uma vez recolhidos, deixam de ir para os aterros tradicionais.



São duas as entidades encarregadas da coleta seletiva na cidade: a Cooperativa de Reciclagem de Sorocaba (Coreso) e a Central de Reciclagem. Em comum, as duas calculam redução no volume de coleta seletiva, o que vai na contramão de uma atividade que poderia ser ampliada caso houvesse divulgação e reforço em estrutura.



Dados e valores são divulgados pelas diretorias das duas entidades. A Central de Reciclagem recolhe atualmente 200 toneladas em média por mês, ante 210 a 300 toneladas por mês no ano passado. A Coreso já chegou a recolher 240 toneladas/mês em média, nos últimos anos, e este ano o volume é de menos de 100 toneladas. Os números de cooperados também ilustram essas perdas: eram 60 na Central de Reciclagem, ante os atuais 52; na Coreso eram 132 pessoas e agora são 32.



Núcleos a menos 

A Coreso também tinha cinco núcleos em bairros diferentes, perdeu dois e restam três. Os cinco núcleos eram os da rua Encarnação Rando Castelucci e rua Chile, ambas no Além Ponte, além de endereços no Jardim Capitão, zona oeste, na avenida Itavuvu e no Vitória Régia, zona norte. Os núcleos desativados foram os do Jardim Capitão e da Itavuvu, cujos locais de atuação eram alugados pela Prefeitura até o ano passado. 



Com isso, bairros das regiões do Jardim Capitão e da Itavuvu (Maria Eugênia, São Guilherme, Paineiras) deixaram de ser atendidos pela Coreso por falta de condições. Os outros três núcleos são locais ocupados por cessão de uso do município. Entre eles, os núcleos da rua Encarnação Rondo Castelucci e do Vitória Régia processam a coleta seletiva e a unidade da rua Chile faz o beneficiamento de polímeros (plásticos) e óleo residual de frituras. 



As retiradas na Coreso variam de R$ 800 a R$ 900 por mês para cada cooperado, descontados todos os custos com a atividade. Em janeiro passado, a receita total foi de R$ 32 mil, as retiradas somaram R$ 16.668,04, correspondendo a R$ 724 por pessoa entre 49 cooperados na época. E as despesas, de R$ 18.649 naquele mês, superaram o valor de retiradas. As despesas vão desde ISS e IPTU à manutenção de galpão, seguro de equipamentos, vigilante, energia elétrica, gás de empilhadeira, entre outros itens. Em outro exemplo, a Central de Reciclagem arrecadou R$ 65 mil em abril deste ano. 

 


Amor e indignação 

Na Central de Reciclagem, a estrutura de trabalho conta com cinco caminhões. Havia um sexto caminhão em operação no ano passado, mas o veículo foi retirado de atividade depois que a Prefeitura deixou de fornecer o combustível em dezembro. 



O caminhão desativado atingia regiões do Trujilo e Nova Sorocaba. Segundo Luiza Porfírio Dias, de 56 anos, diz que moradores que tinham os seus materiais recolhidos reclamam o retorno da coleta seletiva. 



As retiradas na Central de Reciclagem são de R$ 1.200 a R$ 1.300 por funcionário, o que varia de acordo com as horas trabalhadas. Há também os que recebem menos. Entre esses está Ana Maria Ferreira da Silva, de 48 anos, que trabalha no local há sete meses. Insatisfeita, ela reclama: "Dá para viver com um dinheiro desse?" 


"Nós não temos vale transporte, não temos cesta básica, não temos direito a nada", acrescenta Ana Maria. Na comparação com o que ganha, ela reclama: "Acho injusto a gente trabalhar das 7h às 5h (17h) exposta a sol,chuva, mordida de cachorro." 


Aos 46 anos, Simonia da Silva trabalha na coleta de materiais nas ruas e diz que ama o que faz: "Eu gosto de mexer (se relacionar) com o povo. O trabalho da gente não é só pelo dinheiro, e sim por a gente gostar daquilo que faz. 



Prefeitura afirma que prepara plano
 

A Secretaria de Conservação, Serviços Públicos e Obras informa, por meio da Secretaria de Comunicação e Eventos da Prefeitura, que está para ser concluído o Plano Municipal de Coleta Seletiva de Sorocaba. Segundo a Prefeitura, o Plano foi contratado através de convênio com o Ministério do Meio Ambiente, com recursos da Caixa Econômica Federal.


O objetivo geral é estabelecer um planejamento das ações de gerenciamento de coleta e destinação dos recicláveis, atendendo aos princípios da política nacional, inclusive sob o aspecto da gestão participativa. 


A Prefeitura convida a sociedade deve participar de maneira organizada no processo. Para tanto, agendou uma oficina que ocorrerá no dia 21 de junho de 2017, das 14hs às 17hs, no Jardim Botânico "Irmãos Villas Bôas", situado à rua Miguel Montoro Lozano, nº 340 Jardim Dois Corações. 


A Oficina tem como objetivo aprofundar o entendimento das propostas, detalhando os modelos de Gestão para a Coleta Seletiva no município. O Plano de Coleta Seletiva pode ser acessado na página da Prefeitura



Para especialistas, faltam políticaspúblicas e campanhas de divulgação



Para José Carlos Pregun, diretor executivo da Reciclagem Sorocaba, falta divulgação sobre a coleta seletiva com o objetivo de conseguir a adesão de obter cada vez maior adesão de moradores a essa atividade. Ele identifica comportamento de pessoas que não querem mais participar da coleta seletiva e acredita que para reverter essa situação são necessárias campanhas de conscientização sobre a importância ambiental da atividade. A presidente do Centro de Estudos e Apoio ao Desenvolvimento, Emprego e Cidadania (Ceadec), Rita de Cássia Gonçalves Viana, espera que o governo do prefeito José Crespo (DEM) "tenha política pública voltada par fazer de fato a coleta seletiva acontecer em Sorocaba". Ao contrário, diz que projetos ficam no papel e não saem: "As estruturas sempre minguando, os catadores cada vez meais sendo precarizados pela ausencia de política, numa ordem totalmente inversa." Numa situação como a atual de dificuldades de emprego, ela acrescenta que "poderiam estar sendo criados postos de trabalho (na coleta seletiva), a situação é bem preocupante." 
Rita informa que a Coreso está em atividade desde 1999 "praticamente pagando para trabalhar, não é uma aventura". Segundo ela, "são trabalhadores que ganham o seu sustento e contribuem com a limpeza da cidade, ajudam o meio ambiente. Não dá para fingir que isso não existe, não dá pra negligenciar uma situação dessa." 


Entre os projetos que não saem do papel, ela citou o exemplo de uma proposta do ex-vereador Izído de Brito (PT), que propunha a remuneração do serviço de coleta seletiva pela Prefeitura. O projeto foi aprovado pela Câmara, mas a Prefeitura recorreu à Justiça e a proposta foi arquivada. 

 

Outro exemplo foi um projeto de solicitação de recursos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em 2013, o Ceadec elaborou um projeto e o protocolou no BNDES, em nome da Prefeitura, pleiteando recursos da ordem de R$ 11 milhões para ampliação da coleta seletiva: o banco público entraria com metade dos recursos, e o município, com a outra metade. "A Prefeitura simplesmente foi deixando (a proposta), quando eu conversei com o BNDES estava perdido o projeto", diz Rita. 


A presidente do Ceadec reafirma a reivindicação do setor para que o serviço de coleta seletiva seja remunerado pela Prefeitura. Segundo ela, o artigo sexto da Política Nacional de Resíduos Sólidos, lei federal sancionada em 2010, trata o resíduo como um bem de valor econômico: "A lei ela deixa de considerar essa questão como lixo e começa a conceituar o resíduo como um bem de valor econômico,. Dentro dos princípios da lei, essa política nacional tem que ser promotora de geração de renda e de cidadania e nesse sentido toda a política é voltada para a inclusão social dos catadores (de materiais recicláveis)." 



No dia 18 do mês passado, em audiência pública na Prefeitura, representantes da administração e das cooperativas se reuniram para discutir o Plano Municipal de Coleta Seletiva elaborado no governo do ex-prefeito Antonio Carlos Pannunzio. Não houve conclusões. "Saímos sem saber pra que aquilo lá prestou, cooperativas saíram de lá desmentindo sem nenhuma perspectiva, foi um desastre a reunião", descreve a vereadora Iara Bernardi (PT). 

 


Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul


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